sábado, 1 de janeiro de 2011

Primeiro discurso da Presidenta Dilma Rousseff


Dilma toma posse como presidente no Congresso Nacional e ressalta compromissos com o povo brasileiro - Confira o discurso na íntegra


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.

Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.
Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.
Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia.
E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.
Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidenta; e para que --no dia de hoje-- todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.
Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos!
Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu.
Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luis Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos.
De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do seu País.
A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós.
Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história.
Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.
Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nestes oito anos: nosso querido vice José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este homem! E que parceria fizeram o presidente Lula e o vice-presidente José Alencar, pelo Brasil e pelo nosso povo!
Eu e Michel Temer nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.
Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.
Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do FMI, ao mesmo tempo em que superamos nossa dívida externa.
Reduzimos, sobretudo, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.
Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar novas soluções.
Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de patamar.
Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo - um país de classe média sólida e empreendedora.
Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade institucional.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras,
Para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui.
Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores.
Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma política com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.
Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo de nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.
É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.
Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.
O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.
Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia no norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do centro-oeste, a força industrial do sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do sul.
É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.
No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo, decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população.
É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovada, efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, vontade expressa das famílias brasileiras.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.
Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas, ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.
Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!
Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem.
A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações.
É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional.
Isso significa - reitero - manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.
Continuaremos fortalecendo nossas reservas para garantir o equilíbrio das contas externas. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos.
Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.
Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público.
O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública.
Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.
Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.
Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios.
O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.
Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas.
Este princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso deste meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.
Nas últimas duas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio.
Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré escolas.
No ensino médio, além do aumento do investimento publico vamos estender a vitoriosa experiência do PROUNI para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.
Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens.
Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo.
Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro.
Quero ser a presidenta que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo.
O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.
Vou usar a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário.
Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS.
A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
A ação integrada de todos os níveis de governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.
Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com Estados e Municípios.
O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo - quando necessário - a participação decisiva das Forças Armadas.
O êxito desta experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento de jovens.
Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.
Reitero meu compromisso de agir no combate as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as famílias.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.
A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.
O grande agente desta política é a Petrobrás, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética.
O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no Pré Sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
Meus queridos brasileiros e brasileiras,
Muita coisa melhorou em nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil.
Recorro a um poeta da minha terra: "o que tem de ser, tem muita força".
Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente da cultura e do estilo brasileiros --o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância.
Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e a matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.
O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.
Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e a inovação como instrumento da produtividade.
Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.
Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.
Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.
Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade, devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia-a-dia da nação.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras,
Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio-ambiente.
Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada.
O etanol e as fontes de energia hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e das florestas.
Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais.
Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.
Meus queridos brasileiros e brasileiras,
Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.
O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo.
Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Européia.
Vamos dar grande atenção aos países emergentes.
O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao de nosso continente.
Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à Unasul. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.
Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.
Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Disse, no início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo.
Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um:
Dos movimentos sociais,
dos que labutam no campo,
dos profissionais liberais,
dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores,
dos intelectuais,
dos servidores públicos,
dos empresários,
das mulheres,
dos negros, dos índios e dos jovens,
de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.
Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, na seca nordestina, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.
Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas; no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.
Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país.
Respeitada a autonomia dos poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.
Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião.
Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intansigente dos direitos humanos, no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.
O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.
Eu e meu vice Michel Temer fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais.
Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e as parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.
Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Chegamos ao final desse longo discurso. Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.
Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:
"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"
É com esta coragem que vou governar o Brasil.
Mas mulher não é só coragem. É carinho também.
Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa.
É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele - só a ele - dedicar os próximos anos da minha vida.
Que Deus abençoe o Brasil!
Que Deus abençoe a todos nós!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mauro rebate explicações de Barbieri sobre exoneração


O prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri (PMDB), exonerou o coordenador do Orçamento Participativo (OP), Mauro Bianco, e mais dois integrantes do setor, Denise Aparecida Gonzaga, que também era presidente do Conselho Municipal da Mulher, e Rodrigo Martins. Os três são integrantes do Partido Pátria Livre (PPL), sendo que Mauro Bianco é membro da executiva nacional e presidente do Diretório Municipal de Araraquara.

Segundo reportagem do jornal O Imparcial, em reunião realizada no domingo (12), na Prefeitura, Barbieri apresentou a razão para a saída de Bianco e seus assessores. “Quando o Marcelo anunciou que nós sairíamos, eu perguntei a razão, e ele explicou que seu governo tinha sofrido uma grande derrota nas eleições da Câmara Municipal, e que o resultado tinha sido influenciado pessoalmente pelo ex-prefeito, e atual deputado estadual, Edinho Silva (PT). Eu contestei a versão, disse que pela minha leitura política o Edinho não tinha tido participação alguma no processo”, afirmou Bianco.

O prefeito contestou, prossegue a reportagem, dizendo que tinha informações seguras a respeito de uma suposta reunião na residência da vereadora Juliana Damus (PP), quando esta teria voltado atrás em apoiar Elias Chediek (PMDB).

“Ele me garantiu ter certeza de que a reunião aconteceu, e que quando a Juliana voltou atrás, acabou levando com ela o voto de um outro vereador que já estaria acordado com a candidatura do Chediek. O Marcelo me disse então, ter absoluta certeza de que quem articulou sua derrota na Câmara foi o Edinho, e que como a relação principal do PPL em nível nacional é com o PT, do Edinho, ele não via mais clima para manter meu grupo no governo municipal”, informou Bianco.

Ele disse ter ficado surpreso com a decisão do prefeito, até porque o PPL não teve participação na eleição para a mesa diretora da Câmara. “Estou lado a lado com o Marcelo há mais de 30 anos. Atravessamos juntos bons e maus momentos, e minha ida para o PPL foi conversada com ele no gabinete, nunca houve nada resolvido por fora. Estou realmente surpreso, especialmente porque o PPL não teve nenhuma participação nas eleições da Câmara”, frisou Bianco.

“O que ouvi nos últimos dias sobre a eleição do vereador Aluisio Bráz, o ‘Boi’, dá conta de várias e diferentes situações que acabaram transformando uma candidatura condenada à derrota, em uma candidatura vitoriosa. O nome do Edinho não aparece em momento algum no processo, e eu disse isso ao Marcelo, mas ele está convicto que o Edinho jogou contra seu candidato. Fazer o que?”, sublinhou.

O jornal registrou em sua reportagem que os três integrantes do PPL tiveram importante participação na campanha vitoriosa de Marcelo Barbieri em 2008. Este ano, Mauro Bianco e os membros do PPL apoiaram as candidaturas de Dilma e Mercadante, enquanto o prefeito atuou nas campanhas tucanas de Serra e Alckmin.

O presidente do PT-SP e ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, emitiu nota de esclarecimento a respeito da eleição da mesa diretora da Câmara e da saída de Bianco do OP: “Mauro Bianco é filiado ao PPL, que esteve na coligação que apoiou Dilma Rousseff para a presidência da República e Mercadante ao governo de São Paulo. Esta é a relação política existente entre Mauro Bianco, o PT e, conseqüentemente, a minha pessoa, enquanto Presidente Estadual do Partido dos Trabalhadores”.

“Esclareço que jamais participei de nenhuma reunião envolvendo qualquer articulação para definir posições relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Araraquara. Jamais me reuni com a vereadora Juliana Damus para debater suas posições em relação à votação da mesa e, no contexto, no qual foram divulgadas essas informações, beira a leviandade afirmar que estive no domicílio da vereadora tratando de assuntos referentes à Câmara Municipal de Araraquara”, disse Edinho.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


Entidade se prepara para levantar bandeiras dos estudantes araraquarenses no Festival.


O 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, principal fórum mundial da juventude, que será realizado entre os dias 13 à 21 de Dezembro na África do Sul. Organizado pela Federação Mundial da Juventude Democrática - FMJD, juntamente com juventudes e entidades de diversos países, o 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes será um espaço para intercâmbio de idéias e experiências e construirá uma plataforma para reunir esforços e intensificar a luta nos países dos jovens participantes. Com 63 anos de tradição, o Festival se consolidou no roteiro de atividades de organizações que lutam pela paz no cenário internacional. Nesta edição o Festival trará como tema: "Por um Mundo de Paz, Solidariedade e Transformações Sociais, derrotemos o imperialismo!".

No evento serão discutidos temas de interesse da juventude mundial, como educação, emprego, esporte, cultura, saúde, entre outras inúmeras atividades de intercâmbio social, também exposições, concursos artísticos e torneios esportivos.

O Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes é o principal encontro internacional de juventude, cuja primeira edição foi realizada na cidade de Praga, antiga Tchecoslováquia, dois anos após a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, teve como eixo central a denúncia de crimes cometidos pelo nazifacismo. De lá para cá, o Festival percorreu os continentes europeu, asiático, africano e latino americano. O mais recente foi organizado na cidade de Caracas, capital da Venezuela, em Agosto de 2005. Esta será a primeira vez que o Festival ocorre na África Subsaariana.

Araraquara esteve presente nos últimos dois Festivais, o 15° realizado na Argélia e o último, realizado na Venezuela.
A tradição de ter por 18 anos a UMESA em Araraquara e a experiência que vem sendo adquirida através do Conselho Municipal da Juventude são alguns ingredientes que serão levados pelos brasileiros, ressaltando as conquistas e bandeiras desses importantes instrumentos.
A UMESA está organizando sua delegação, junto com o Conselho Municipal da Juventude e juventudes partidárias, com o sentido de levar as experiências vividas aqui, além de levar os avanços que foram realizados nos últimos anos no Brasil, em especial na educação, que viveu momento de construção de novas escolas técnicas, novas vagas nas universidades federais e a criação do Prouni.
Para a presidente da UMESA, Thais de Sousa Silva, "será um momento importante para os brasileiros e a participação araraquarense no Festival vem para ampliar a discussão com a juventude, trazendo experiências mundiais para lutarmos pela aplicação no Brasil".
Ainda segundo Thais, "Araraquara tem um histórico rico no sentido de formar lideranças juvenis, o exemplo é o próprio Prefeito Marcelo Barbieri, que comandou a UNE em momento histórico do país."

A entidade municipal, pretende participar com 2 diretores no Festival Mundial da Juventude e conta com apoio de empresários e lideranças políticas locais para poder enviar seus representantes.
O Festival ocorre, entre 13 à 21 de Dezembro no Distrito de Soweto, Johanerburgo - África do Sul. Maiores informações e para ajudar a viabilizar a participação da entidade no Festival podem ser enviados email para
thais@umesa.org.br ouwalter@umesa.org.br ou contato via telefone no (16) 3214 5704 ou (16) 9150 2389.

sábado, 13 de novembro de 2010

CPC-UMES estreia montagem de Bertold Brecht

Diálogo através da arte. Essa foi a forma escolhida pelo Centro de Cultura Popular 8 de Março para dar forma, cor e som ao desejo da juventude brasileira de descobrir sua identidade cultural. Criado há 14 anos, por iniciativa do cineasta Denoy de Oliveira, o CPC busca garantir os direitos da juventude no acesso e na produção cultural.

No último dia 29 de outubro o centro estreiou mais uma produção: a peça Santa Joana dos Matadouros, de Bertold Brecht, com direção de José Renato. A escolha se deu, entre outras questões, pela atualidade do tema da peça. Embora esteja ambientado na Chicago do início do século XX o enfoque econômico/social guarda grande semelhança com as crises econômicas e os valores atuais.

Com um elenco de 17 atores e atrizes, além de três músicos, a peça — que trata das tensões entre capitalistas e das agruras vividas pelos trabalhadores de Chicago durante o inverno e no auge da crise econômica de 1929 — teve grande sucesso de público e crítica na primeira temporada, nos meses de junho e julho deste ano. O autor coloca em cena os mecanismos que levam à degradação da economia: superprodução, falta de mercado para escoá-la, especulação e aumento da exploração, o que, por sua vez, leva à exacerbação das tensões com mais quebradeira, mais fome e produz seu oposto; os movimentos operários contra as duras condições impostas aos trabalhadores.

A professora de teoria literária, Iná Camargo, pesquisadora da obra de Brecht, à saída de uma das encenações destacou: “Dá gosto de ver! É a primeira encenação desde que se instaurou a crise e isso mostra uma capacidade de apreensão da realidade que é impressionante”. “A peça mantém sua atualidade diante das necessidades de saída justa para a crise que enfrentamos nos dias de hoje”, completou. Para o diretor José Renato este é “um espetáculo vivo, criado, em sua maioria, por atores jovens e motivados, e, por isso mesmo, polêmico e sujeito a alterações criativas”.

Gabriel Alves, representante do CPC no Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), falou com o juventude.gov sobre a montagem e o envolvimento do CPC 8 de Março com a peça. Confira:

Como se deu a escolha do espetáculo e do diretor?

Escolhemos o espetáculo “Santa Joana dos Matadouros” por se tratar de um espetáculo extremamente atual. apesar de Brecht ter escrito a peça há cerca 80 anos. O espetáculo retrata conflitos ocorridos nos matadouros de Chicago no auge da grande depressão de 1929, mostra como os grandes empresários da carne, para salvar seu couro e seu bolso, repassam os prejuízos aos trabalhadores e se aproveitam da oportunidade para “com muita classe balançar a corda do vizinho” e aumentar seu monopólio com a incorporação de outras empresas. Tudo igual ao que se passa hoje nos grandes centros capitalista. O conflito se desenvolve em enredo brilhante e aguerrido como é da tradição dos textos de Bertolt Brecht.

Esses elementos nos levaram a decidir pela peça, a decisão de buscar José Renato para dirigi-la foi natural e automática, afinal ele é um dos principais nomes do teatro nacional, profundo conhecedor da obra do autor e tem em seu currículo várias montagens de seus textos, um deles (Turandot) inclusive foi produção nossa.

Qual a relação da temática com o universo juvenil?

Na busca pela saída da crise os monopólios buscam repassar a toda sociedade os seus prejuízos, basta ver como a população dos países mais atingidos por ela tem sofrido seus efeitos. E aqueles que possuem menos dinheiro e se encontram nos postos de trabalhos mais precários são exatamente os que mais sofrem, pois o pouco que lhe resta é tirado. Nessa situação os jovens são sem dúvida os mais atingidos e isso pode ser comprovado pelo recente estudo da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Portanto devemos buscar compreender a crise, entender como ela surgiu e enfrentar o mal em sua raiz. O jovem deve estudar para conhecer isso, por isso a temática tem ligação com universo juvenil e também com o interesse de toda a sociedade, uma vez que a ação dos monopólios tem prejudicado a todos.

No release o diretor fala de atores “jovens e motivados”. Como foi feita essa seleção?

Para a seleção dos atores partimos de um grupo de atores que já trabalharam conosco, com isso resolvemos uma parte do elenco. Depois buscamos a partir das relações de cada artista, dos membros da Cooperativa Paulista de Teatro e do conhecimento de José Renato preencher as outras vagas do espetáculo. São 17 atores e três músicos, em sua maioria jovem, mas acima de tudo atores com experiência teatral e capacidade artística.

Em sua opinião qual o papel da cultura e do estímulo à produção cultural na formação da identidade dos jovens brasileiros?

A cultura como elemento chave da construção da nacionalidade é fundamental na construção da identidade dos jovens brasileiros. Não é possível pensar em uma nação livre e saudável formada por um coletivo de cidadão despersonalizados e dependentes. A cultura é responsável por construir o imaginário, em mobilizar os sentimentos do povo e essa construção não se alcança por uma cultura enlatada, pasteurizada e exportada em baús pelas grandes multinacionais. O Brasil deve investir cada vez mais da produção cultural, mas também garantir a circulação do que é produzido por nós e principalmente na defesa dos espaços da cultura nacional nas rádios, tevês, cinemas, teatros e outros equipamentos culturais país afora. Investir na cultura e defende-la é garantir a identidade de nossa juventude.

Ana Cristina Santos
Ascom/Conjuve

SERVIÇO:

“Santa Joana dos Matadouros” fica em cartaz todas as sextas e sábados, às 21h e domingos, às 20h no Teatro Denoy de Oliveira, Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista, São Paulo (SP).

Para contato: (11) 3289-7475.

1º Encontro Nacional de Grêmios da UBES: faça aqui sua inscrição

Centenas de grêmios estudantis de todo o Brasil se reunirão para a realização do 1º Encontro de Grêmios Estudantis da UBES, do dia 15 a 18 de janeiro, no Rio de Janeiro. Abaixo, link direto para o formulário de cadastro para o encontro

Ao todo, serão quatro dias em que os alunos terão a possibilidade de participar de atividades como oficinas de comunicação, finanças, atividades esportivas e debates sobre o papel da mulher na sociedade, o movimento LGBT, meio ambiente e cultura, como montar o estatuto do grêmio, captação de recursos, entre outros.

Além de servir como termômetro para diagnosticar como está e o que pode ser feito nas escolas onde os grêmios atuam o encontro ajudará a canalizar todas as experiências de trabalho e de lutas que estão sendo desenvolvidas em todas as escolas do país pelos estudantes.

“Realizar essas atividades são muito importantes, principalmente as que orientam os jovens a se organizar dentro da sua escola”, declarou o diretor de grêmios da UBES, Rarikan Heven.

Yann Evanovick, presidente da UBES, considera o encontro válido levando em consideração o amadurecimento político que o jovem adquire através do grêmio estudantil. “Esse contato dá ao jovem uma bagagem política muito importante para lutar, também, por outras bandeiras”, afirmou.

Inscrições
Não perca tempo. Os estudantes de escolas técnicas já podem fazer o seu cadastro para participar do 1º Encontro Nacional de Grêmios da UBES, de 15 a 18 de janeiro, no Rio de Janeiro.

Para agilizar o processo de cadastramento, a entidade criou um formulário online, permitindo que o participante faça seu cadastro de forma rápida e prática. Faça aqui o cadastro do 1º Encontro Nacional de Grêmios da UBES e fique atento ao portal EstudanteNet. A qualquer momento, informações sobre a programação do encontro e muito mais!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Bolinha de papel ou rolinho de durex, o que muda?

Globo e Serra deviam ser enquadrados no Código Penal por propaganda enganosa e falsidade ideológica.

1. O que a reportagem da Globo mostrou sobre a cocuruto (alto da cabeça) de Serra foi um rolinho de durex. O locutor inclusive (ele que nos desculpe, mas somos obrigados a registrar) frisou: "objeto transparente".

2. O que o "perito" mostrou foi um rolo bem maior de fita crepe (larga e opaca) que, segundo ele, teria atingido o lado esquerdo (e não o alto) da cabeça do candidato. Ou seja, o vigarista quis passar a impressão de que Serra foi atingido por um objeto mais pesado.

3. A imagem da Globo mostra também que o rolinho não fez nem cosquinha. Serra não levou a mão à cabeça, nem parou, seguiu andando normalmente, o que não teria ocorrido se tivesse sofrido o impacto de um objeto pesado.

4. Só na imagem seguinte, ou seja, depois de um corte, é que Serra aparece com a mão na cabeça. O locutor para disfarçar o corte diz que o celular que estava filmando foi baixado e quando erguido captou a cena em que Serra pôs a mão na cabeça. Mas não disse quanto tempo passou entre o registro de uma cena e da outra. Não disse porque não sabia ou porque não queria perder o emprego.

5. Uma bolinha de papel tem aproximadamente 5,6 gramas. Um rolinho de durex, umas 8 gramas. Nada disso causaria, como não causou, qualquer incômodo ao candidato. Ele simulou tontura e nauseas para fazer-se de agredido, quando foram seus guarda-costas e leões de chácara que iniciaram a confusão ao rasgar cartazes e atacar os sindicalistas.

6. Portanto, o presidente Lula está mais do que certo ao compará-lo com o goleiro Rojas. Para ser mais exato, só faltou dizer que é muito pior do que o Rojas. Tudo o que o Lula declarou em relação à bolinha de papel, vale igualmente para o rolinho de durex.

7. E a Globo, mais uma vez, deixa claro que manipular é seu lema, particularmente quando chegam as eleições.

8. Assista o video da reportagem com calma e atenção e nos diga se não estamos certos.

Clique para ver o video

Serra - o Rojas brasileiro

Amigos
Acabo de assistir à reportagem do SBT sobre a "agressão" a José Serra. A reportagem é impagável. Vejam e tirem as conclusões por si mesmos. O "objeto não identificado" é uma bolinha de papel arremessada de poucos metros. Serra na hora não sente nada e continua a caminhada. Um tempo depois recebe um telefonema, põe a mão na cabeça e começa o teatro.
Lembra o goleiro Rojas do Chile em um jogo contra o Brasil em 1989, quando ele fingiu ser atingido por um rojão para tentar anular a partida na qual seu time perdia por 1X0. O resultado todos sabem: o Brasil ganhou o jogo, Rojas foi banido do futebol e a fogueteira ganhou muito dinheiro posando nua. O enredo é parecido. Agora falta achar a fogueteira de Serra...

Veja e compare:
A farsa de Serra (Calçadão de Campo Grande 2010)
A farsa de Rojas (Maracanã 1989)