domingo, 16 de dezembro de 2007

Oposição se vinga dos pobres cortando 40 bilhões da saúde




Numa sessão que durou mais de 10 horas, 34 senadores se desforraram da baixa votação que o PSDB e o Dem tem obtido entre as populações mais carentes e conseguiram impedir a prorrogação da CPMF.



Numa sessão com mais de 10 horas de duração e a estréia do senador Garibaldi Alves na condução dos trabalhos, a oposição (PSDB/DEM) conseguiu impedir a aprovação da PEC que prorrogaria a CPMF até 2011. O governo precisava de 49 votos para aprovar a medida, mas conseguiu apenas 45 a favor e 34 contra. Por um apelo do líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), a proposição que mantinha a Desvinculação de Receitas da União (DRU) foi desmembrada e aprovada por 60 votos a 18.O tenso processo de votação no Senado foi precedido por 5 meses de tramitação e 7 meses de trabalho dos responsáveis pela articulação do governo. Com o resultado, o governo terá que aguardar o ano que vem para retomar a batalha em torno da CPMF, com o objetivo de manter cerca de R$ 40 bilhões na receita que a União destina para a saúde e para os programas sociais, como o Bolsa Família. A Fazenda estuda ainda aumentar alguns impostos como a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido), principalmente para os bancos, e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), além de reduzir o superávit primário.No plenário, senadores, como o ex-presidente José Sarney, esforçavam-se para mostrar o crime que viria a ser consumado pela oposição. Com dados, Sarney apontou que 72% da arrecadação da CPMF provinha das empresas; dos 28% restantes, a população mais pobre pagava somente 1,8%. Além de sustentar o Bolsa-Família, a saúde, a transferência de renda, a aposentadoria rural e outros programas sociais, os recursos da CPMF, afirmou Sarney, ainda “têm sido usados para melhorar a redistribuição entre os vários estados da federação, entre as regiões mais pobres e as regiões mais ricas. E vou dar um número: 42% da CPMF vai para o Nordeste”.O próprio presidente da República chegou a encaminhar duas cartas ao Senado, lidas por Romero Jucá na tentativa de aprovar a CPMF. Uma era assinada pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Coordenação Política do Governo, José Múcio Monteiro, e outra por Lula, aceitando a destinação integral do imposto à saúde, reduzindo sua vigência para um ano e prometendo uma reforma tributária para o ano que vem.No entanto, foi o gesto de lucidez e grandeza do senador Pedro Simon (PMDB/RS) que quase livrou o governo da derrota ao propor o adiamento da votação, quando da leitura da carta. O apelo do senador, preterido para assumir a presidência da Casa, causou a ira da oposição, em especial de Arthur Virgílio, que ofendeu o senador. Simon exigiu respeito do tucano e disse que Virgílio era “um gurizinho de calças curtas” quando ele já fazia política.Depois de um breve entrevero, lideranças dos partidos da base parabenizaram a iniciativa do senador gaúcho e apoiaram a proposta. Após Marcelo Crivella (PRB), Inácio Arruda (PCdoB), Ideli Salvatti (PT) e Renato Casagrande (PSB) se posicionarem a favor da alternativa apontada por Simon, no entanto, foi realizada a votação.Para derrubar a CPMF, a oposição conseguiu arregimentar seis votos de senadores da base. Romeu Tuma (PTB-SP), Expedito Júnior (PR-RO), Mão Santa (PMDB-PI), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), César Borges (PR-BA) e Geraldo Mesquita (PMDB-AC) votaram contra. O PMDB foi o partido que garantiu mais votos ao governo, com 16 no total.
Publicado na Hora do Povo, edição nº 2.628.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

UBES realiza 37º Congresso e defende ampliação do ProUni


O Congresso aprovou a realização do Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg), em 2008, que deverá reformular o estatuto da entidade

“O 37° Congresso da UBES reuniu as principais lideranças estudantis do país a fim de formular propostas para fortalecer a entidade e criar condições para que um número cada vez maior de estudantes se mobilize para ajudar a garantir as mudanças na educação”, afirmou o presidente eleito da entidade, Ismael Cardoso. O Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas reuniu de 7 a 10 de dezembro, em Goiânia, 2.500 estudantes com representantes dos 27 estados do país.

A chapa “Estudantes Brasileiros por uma educação de qualidade”, que elegeu Ismael presidente, contou com 704 votos de um total de 940 votantes e representou a maior unidade alcançada no movimento estudantil. Fizeram parte da chapa vencedora a União da Juventude Socialista (UJS), o Movimento Mutirão, que tem o apoio da Juventude Revolucionária 8 de Outubro (JR8) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e também integraram a chapa juventudes do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e de correntes do Partido dos Trabalhadores (PT). Ismael comemorou a unidade alcançada afirmando que “temos que pensar uma UBES do tamanho do Brasil” e ressaltou que “o momento é de unificação de idéias em torno da defesa da educação”.

INCLUSÃO

Entre os debates ocorridos durante o congresso, destacou-se a discussão acerca do Programa Universidade para Todos (ProUni), implantado pelo Governo Federal no ano de 2005, e que já permitiu o ingresso de 400 mil estudantes nas universidades brasileiras, até o segundo semestre de 2007. A vice-presidente eleita da UBES, Michelle Bressan, destacou a importância da medida e contrapôs a oposição da entidade: “O ProUni é, muitas vezes, a única oportunidade de milhares de jovens conseguirem cursar o ensino superior”. “E não está sendo feito isoladamente. Ao mesmo tempo, o governo está abrindo novas universidades, e incluindo 50 mil novas vagas nessas universidades” declarou Michelle. Os delegados presentes agitavam a plenária do congresso com palavras de ordem como “ô ô ô , o filho do pedreiro vai poder virar doutor”.

Outro debate que ocorreu com destaque durante o congresso foi em relação ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que prevê o investimento de R$ 8 bilhões até 2010. O Plano, defendido pelas teses vitoriosas no congresso, tem como meta investimentos que garantam o salarial para os professores, luz em todas as escolas, inclusão digital, financiamento para transporte em regiões afastadas, Fundeb, entre outras medidas que “são bandeiras históricas do movimento estudantil”, conforme destacou Michelle.

Entre as bandeiras aprovadas durante o 37° Congresso, a UBES destacou a derrubada da Medida Provisória 2208/01, implantada durante o governo FHC com a clara intenção de desorganizar e enfraquecer o movimento estudantil, através da agressão à sua principal conquista, a meia-entrada. A medida banaliza o direito, na medida em que abre espaço para que outras entidades, e não as estudantis, emitam carteiras de identificação para os alunos, facilitando falsificações e retirando das entidades o direito único de representação efetiva de uma conquista própria.

CONEG

Depois de quatro dias de discussões em grupos que debateram conjuntura nacional e internacional, movimento estudantil, educação, cultura, entre outros, o Congresso aprovou também a realização do Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) da UBES, que deverá ocorrer no segundo semestre de 2008, e discutir o estatuto da entidade, que será reformulado.

Em comemoração aos 60 anos da UBES, que serão completados durante a próxima gestão, foi lançado durante o congresso um vídeo comemorativo e uma revista histórica, intitulada “UBES, 60 anos: a nossa história ninguém apaga!”. A diretora de comunicação da entidade, Raisa Marques, afirmou que “temos poucos registros organizados sobre a UBES e esse foi um trabalho importante no sentido de resgatar essa história. Acho que os produtos ficam como um desafio para a próxima gestão de realmente levar à frente este grande projeto que é dar a UBES o reconhecimento que ela sempre mereceu”, declarou. O vídeo foi reproduzido durante o congresso, o primeiro exemplar da revista foi entregue ao ex-presidente da entidade, Igor Bruno.

As outras chapas concorrentes no congresso foram a “Luta Secundarista: por uma UBES na escola, nas ruas” que recebeu 7 votos, a “Rebele-se: a hora é essa. Educação como prática de liberdade” que teve 169 votos e a “Juventude Petista: A UBES é pra lutar”, que contabilizou 59 votos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A verdade sobre o terceiro mandato


Precipitar o debate sobre a possibilidade de uma nova reeleição para Lula é manobra da mídia golpista para assustar a oposição e levá-la a votar contra a CPMF.

Cada coisa tem sua hora. E essa é uma discussão que não deve, não pode e não será feita de afogadilho.A mídia golpista quer assustar a oposição para levá-la a embarcar na aventura da “derrubada da CPMF”, agindo inclusive contra a vontade de seus candidatos à Presidência da República, que aprenderam a relativizar a eficácia dos delírios midiá-ticos e sabem que não teriam nenhuma chance de enfrentar uma campanha eleitoral carregando o ônus de haverem votado contra o Brasil - mas precisamente, pela extinção da saúde pública e dos programas sociais.A democracia brasileira é jovem. Ainda há muito a ser discutido sobre o seu aperfeiçoamento, a oportunidade e o momento de realizá-los.O que não é possível é descartar práticas correntes em democracias consideradas modelares sob o pretexto de que na Venezuela ou no Brasil isso significaria ditadura e caudilhismo.A Folha de S. Paulo afirma em editorial, no dia 4 de novembro: “Se depender da ‘oposição’ ou de um plebiscito dentro do Brasil, a re-reeleição terá boas chances. Mas, se depender de qualquer consulta fora do Brasil, será radicalmente rechaçada”.Radicalmente? Por quem? Por que haveríamos de nos curvar a quem acha civilizado não respeitar a vontade soberana dos povos?Não se deve baixar o nível da discussão recorrendo a esse tipo de ameaças - que podem ter o efeito inverso ao pretendido - ou a meias verdades como também faz a Folha em outro editorial publicado na mesma data: “Os EUA, fonte de inspiração do presidencialismo brasileiro, descobriram essa ameaça na prática, mesmo num momento especialíssimo de sua história. Depois da quarta vitória seguida de Franklin Roosevelt, em 1944, limitaram a reeleição a uma única vez”.Qualquer estudante de curso médio sabe que não foi Roosevelt - até porque ele já estava morto - nem seus partidários, como procura sugerir a Folha, com uma frase ambígua, que “descobriram essa ameaça”, mas os republicanos que aproveitaram a vitória nas eleições parlamentares, em 1946, para introduzir esse casuísmo na Constituição, ao mesmo tempo em que deflagravam a histeria macartista que manchou para sempre a história daquele país.Elevemos o nível do debate e todos sairemos ganhando.Eleger a “alternância no poder” como princípio básico da democracia, acima inclusive do princípio da “soberania popular”, é desconhecer que o regime que nos deu, dentro de uma estrita alternância, Castelo, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo não era propriamente um regime democrático.
Publicado na Hora do Povo, edição nº 2.617
Editorial
Que Lula seria o melhor candidato para vencer nas urnas as forças neoliberais em 2010, e consolidar o projeto nacional, é um fato indiscutível.Isso não quer dizer que ele seja o único capaz de cumprir este papel. É somente o mais capaz, razão pela qual a tese de que o povo seja chamado a decidir sobre a oportunidade ou não de um novo mandato para o presidente Lula cause tamanho desconforto à oposição.Porém a discussão sobre a necessidade da nossa jovem democracia dar mais alguns passos a fim de firmar-se não se prende apenas a esse fato e inclusive o transcende.Nenhuma das democracias consideradas modelares estabelece limites para o número de reeleições do chefe de estado e do chefe de governo.E nos EUA, essa limitação só existe por um casuísmo introduzido na Constituição pelos Republicanos, depois que Roosevelt os derrotou em quatro eleições presidenciais sucessivas: 1932, 1936, 1940 e 1944.O princípio básico que rege as democracias é o da soberania popular. Pretender que a alternância no poder seja obtida pela negação desse princípio não é ser mais democrático e sim menos.

Publicado na Hora do Povo, edição nº 2.616

Celeuma sobre o 3º mandato mostra o atraso da democracia em nosso país.
Na França, Alemanha, Itália, Portugal e vários outros países da Europa não há limite para o número de mandatos do presidente da república e do primeiro-ministro. O povo os elege, direta ou indiretamente, quantas vezes quiser.Nos EUA também nunca houve limitação quanto ao número de mandatos do presidente, até que os Republicanos conseguiram emendar a Constituição para, como eles próprios diziam, impedir o surgimento de um novo Roosewelt - que os derrotara em quatro eleições sucessivas.Na Inglaterra, Espanha e Suécia não há presidente da república, há reis, mas o primeiro-ministro também pode ser reconduzido ao cargo tantas e quantas vezes o parlamento - eleito pelo povo - assim o desejar.Se todos estes países são considerados democracias avançadas e modelares, por que tanta celeuma causa no Brasil a tese do terceiro mandato para o presidente Lula?Porque as velhas e carcomidas elites resistem com unhas e dentes a qualquer avanço democrático e querem de antemão excluir do páreo aquele que tem mais chance de derrotá-las nas urnas em 2010. “Alternância no poder”, para elas, é apenas isso.

Publicado na Hora do Povo, edição nº 2.615

Editorial
Pesquisa nacional encomendada pelo PSDB revelou que o número de brasileiros que desejam reconduzir o presidente Lula a um novo mandato presidencial cresceu para 56%.Apesar da Constituição não haver criado a possibilidade de mais de uma reeleição, a vontade da maioria dos brasileiros, no presente momento, é de que isso ocorra.Lula já declarou reiteradas vezes que não quer um 3º mandato. E não há qualquer tipo de campanha política estimulando o eleitorado nesta direção. Portanto, o fenômeno registrado pela pesquisa é puramente espontâneo.Ainda é cedo para considerá-lo consistente. Mas o fato é que não é da natureza das democracias mais consolidadas impor limites ao número de reeleições do chefe de governo. O que a democracia estabelece é que ele deve ser eleito, conforme a vontade do povo - tantas e quantas vezes este mesmo povo, soberanamente, assim o desejar.A tradição brasileira não é essa. Mas a nossa democracia ainda é excessivamente jovem para considerar-se isenta da necessidade de aperfeiçoamentos.

Publicado na Hora do Povo, edição nº 2.580

Globo e Folha querem precipitar decisão sobre reeleição para povo não opinar
Tentar enfiar sub-repticiamente o tema na pauta da Reforma Política é pura malandragem.
A Reforma foi convocada para que o Congresso se pronuncie sobre temas exaustivamente debatidos, que estão mais do que maduros para serem votados: fidelidade partidária, financiamento público de campanha, voto em lista e redução da cláusula de barreira.De todas as questões democráticas, a reeleição do chefe de governo é a mais importante. E esse tema mal começou a ser debatido.Embora Lula não deseje, uma parcela significativa da população, que provavelmente já se constitui na sua maioria, não vê nenhuma razão pela qual deva ser privada do direito de reelegê-lo para um novo mandato, em função do seu extraordinário desempenho à frente do governo.Se a performance cair, esse interesse cessará naturalmente e o problema deixará de existir. No entanto, se não cair algo terá que ser feito para evitar a frustração popular - que é sempre muito perigosa - de ver Lula fora do governo no auge de sua capacidade.Portanto, nada de colocar o carro na frente dos bois, para não fazer o jogo dos que pretendem “aposentar” o nosso presidente antes do tempo.
Publicado na Hora do Povo, edição nº 2561
Editorial

FH não quer que Lula tenha a possibilidade de disputar um terceiro mandato em 2010.
Também não quer que o Congresso aprove o fim da reeleição, o que daria ao presidente a chance de concorrer em 2014 ou 2015, caso a fórmula aprovada estabeleça a duração do mandato presidencial em quatro ou cinco anos.O argumento é que qualquer das duas situações exigiria uma mudança da Constituição, coisa altamente “inoportuna” - tese típica de quem pretende apenas abafar o debate, para afastar Lula da disputa presidencial pelo maior prazo possível.O que seria mais oportuno do que dar um novo passo no aperfeiçoamento da vida democrática do país, garantindo ao povo o direito de eleger e reeleger como seu representante máximo a quem desejar e por quantas vezes quiser?Na França, berço das idéias democráticas modernas, não há limite para o número de reeleições do presidente da República. Nos EUA também não havia, até que Roosevelt venceu quatro eleições seguidas e os monopólios que ele combatia patrocinaram a mudança casuística. Nos regimes parlamentaristas, o primeiro-ministro pode ser reconduzido à função tantas e quantas vezes a maioria dos eleitores assim o desejar.A verdade é que a alternância compulsória do chefe do governo não se inscreve nas melhores tradições democráticas.E para quem crê que no Brasil por nunca ter sido assim deve continuar não sendo, aconselhamos ouvir a voz das ruas.A identidade do povo com o presidente Lula é um fenômeno histórico que não convém ser subestimado e que não tem como ser medido pela bitola do pensamento conservador.
Publicado na Hora do Povo, edição 2.559

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Tucanos abrem o jogo e dão a largada para privatizar tudo em SP


Lote de 18 estatais inclui Nossa Caixa, Metrô, Cesp, Sabesp, CDHU, CPTM, EMTU, Dersa, Cetesb e até a Imprensa Oficial

Na campanha eleitoral de 2006, Alckmin que foi por muitos anos o operador do “programa de desestatização” em SP afirmou que tudo o que devia ser privatizado no Estado e no país já tinha sido privatizado. O ex-governador pretendia assim colocar-se na posição de crítico de pretensas intenções, medidas e planos privatizantes do presidente Lula, acreditando que a arguta manobra iria poupá-lo de responder pelos crimes cometidos neste departamento.
Dos beneficiários da política de lesa-pátria, não faltaram registros de que a ambivalência do discurso do candidato no tocante à privatização - cujo oportunismo chocou a consciência dos eleitores - custou a sua eleição e deixou a descoberto o carro-chefe do projeto neoliberal.
O governador José Serra, ao que tudo indica, depois de alguma hesitação cedeu às pressões no sentido de assumir posturas e políticas mais afirmativas em relação à privatização.
Resta ver como as forças nacionais e populares vão reagir a este novo e mais truculento assalto ao patrimônio público que se pretende perpetrar à luz do dia.
O fato é que caminhamos para um 3º turno das eleições de 2006 que definirá em grande medida o 1º das eleições de 2010.
Publicado na íntegra no site www.umesa.org.br ou em www.horadopovo.com.br
Quando as mesmas forças que hoje se aglutinam no intuito de cassar Renan quiseram linchar o senador Aloizio Mercadante, muitos o abandonaram, outros lavaram as mãos.
Nós, com a graça de Deus, não cometemos o deslize de permitir que nosso espírito de justiça fosse flexibilizado pelas pressões de ocasião.
Consideramos que o fato de um dos coordenadores da campanha de Mercadante ao governo de SP ter se envolvido num rumoroso episódio de compra de dossiê não significava que tivesse agido com o consentimento do senador, como afirmavam seus detratores sem se dar ao trabalho de apresentar uma única prova que atestasse a acusação.
Os fatos subseqüentes demonstraram que estávamos certos.
Depois de vários meses, ficou devidamente comprovada a inocência do senador.
Não fizemos mais do que a nossa obrigação. E não pretendemos estar fazendo nada além disso ao lembrar ao nosso companheiro Aloizio Mercadante que não se pode cassar o presidente do Senado apenas porque a mídia e os interesses contrários ao governo Lula assim o desejam.
Nenhum dos autores e apoiadores da quinta representação conseguiu dizer diante de Renan, no Plenário do Senado, que ele tenha qualquer responsabilidade na propalada tentativa de arapongagem contra os senadores Demóstenes e Perillo.
Para bom entendedor isso é prova suficiente de que se trata de mais uma acusação inconsistente e falsa.
Considerações políticas, por mais bem intencionadas que sejam, não devem e não podem se sobrepor ao sentimento de justiça de um homem de bem.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Por uma educação básica de qualidade!

Com esse pensamento o movimento estudantil tem atuado nos últimos anos. O Brasil já teve sua educação em governos anteriores assolada pelo descaso e com a falta de compromisso com o povo. Mas, com os novos planos do governo Lula vamos buscar colocar a educação do pais no rumo certo novamente.
O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) ou "PAC da educação" criado pelo governo este ano, vem garantindo mudanças estruturais de fundamental importância. Os investimentos vão ultrapassar a educação básica, garantindo mudanças também na educação profissional e superior, envolvendo, pais, alunos, professores e gestores que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola.
Para que o Ministério da Educação obtenha sucesso com o Plano é necessário que todas as iniciativas cheguem às salas de aula para que possamos atingir a qualidade que se deseja para a educação de qualidade no Brasil, por isso, é importante a participação de todos nesse processo.
Só em 2007 o MEC esta previsto investimento de mais de 1 bilhão para a educação e o plano tem previsão de duração de quinze anos .
Dentre as iniciativas do Plano, têm destaque o “Todos pela Educação” que impulsionou amplas mobilizações sociais. O Brasil alfabetizado vai receber atenção especial, criado pelo MEC para atender brasileiros com dificuldade na escrita e na leitura ou que nunca freqüentaram a escola está passando por alterações para melhorar seus resultados, dentre elas está a ampliação de turmas nas regiões do interior do país onde reside o maior numero de pessoas sem escolaridade e a produção do material didático especifico para esse público.
A criação do piso salarial nacional dos professores (atualmente mais de 50% desses profissionais ganham menos de R$ 800,00 por 40 horas de trabalho) e a ampliação do acesso destes à Universidade garantirão melhorias na estrutura das escolas, a implantação de laboratórios de informática nos grandes centros e nas escolas da zona rural, além da criação das Olimpíadas de Língua Portuguesa.
A melhoria no transporte escolar para os alunos residentes em áreas rurais, a preocupação com a saúde dos alunos, e a garantia de acesso à energia elétrica para todas as escolas públicas são outras ações desenvolvidas dentro do PDE.
A principal iniciativa do PDE na educação profissional é a criação dos Institutos Federais de Educação Profissional, Cientifica, e Tecnológica. Esses centros serão instalados em cidades de referência regional para auxiliar a formação e a capacitação de jovens e adultos que busquem sua inserção no mercado de trabalho. As cidades pólos para a implantação das novas unidades já foram definidas e uma delas será construída em Araraquara, com início das aulas previsto já para 2008. Serão criadas 150 Escolas Federais em quatro anos. Um total de R$ 500 milhões será investido por ano para manutenção e implantação de quadro de pessoal das escolas. Aproximadamente R$ 700 milhões serão destinados à construção das novas unidades.
O processo de escolha das regiões que receberão as novas unidades privilegia estados com pouca ou nenhuma oferta de educação profissional. Hoje, nove destas novas unidades já estão prontas e mais de 51 devem ser finalizadas até o fim de 2007.
Com o PDE, a rede federal de educação alcançará 350 unidades distribuídas por todo Brasil e o plano visa criar até 2010, cerca de 200 mil vagas.
O PDE inclui metas de qualidade para a educação básica que, quando atingidas beneficiam ainda mais os municípios e regiões. Isso contribui para que escolas e secretarias de educação se organizem para o atendimento dos alunos e cria um canal direto para que a sociedade possa exigir uma educação de qualidade.
Também faz parte do PDE a integração com outros programas do Governo Federal, dentre eles o “Programa Luz para Todos” que levará energia elétrica para todas as escolas públicas do país. Cerca de 700 mil alunos da educação básica (1,5 do total de alunos) não tem luz na escola.
Problemas como a falta de exames de vista e de óculos, que muitas vezes impede o estudante de aprender, também serão abordados pelo Plano. Está sendo criado o “Programa Olhar Brasil” para levar assistência oftalmológica aos alunos diminuindo a evasão e garantindo melhor aproveitamento das aulas. Os alunos do Brasil alfabetizado e os alunos do ensino fundamental receberão tratamento prioritário e a execução do programa ocorrerá de forma progressiva durante o período de 2007 a 2009.
Com o Plano, os alunos da rede pública do ensino médio, cerca de 7,7 milhões terão acesso a obras literárias dentro das escolas onde estudam. Com a criação do “Programa Nacional Biblioteca da Escola” escolas de ensino médio terão bibliotecas atualizadas e ampliadas já em 2008. O investimento do Governo Federal será de R$ 17,5 milhões. Com a ampliação do programa de literatura para o ensino médio, 30 milhões de alunos da educação básica terão acesso aos novos acervos.
E muitas outras medidas serão tomadas para que o avanço da educação no Brasil seja de alta qualidade.
Vamos garantir juntos que esses avanços propostos pelo Governo Lula sejam cumpridos!

Misael Henrique Emilio
Secretário Geral

Apontamentos de Che sobre um livro famoso.



Reflexões de Che Guevara sobre a transição socialista.

Nos anos de 1965 e 1966, em sua estada na Tanzânia e Praga, antes de internar-se na Bolívia, Ernesto Che Guevara concluiu a primeira etapa de um estudo do Manual de Economia Política da Academia de Ciências da URSS, edição em espanhol de 1963. Che marcou 225 parágrafos do texto em verde, vermelho e azul, redigindo breves comentários críticos sobre cada um deles - notas que pretendia aprofundar e desenvolver posteriormente. O trabalho era parte do plano, que deixou também indicado, de produzir um livro que abordasse a economia política da transição socialista e do próprio socialismo por uma ótica diversa da apresentada pelo manual. “Nossa tese”, afirmou Che, “é que as mudanças produzidas pela Nova Política Econômica (NEP) calaram tão fundo na vida da URSS que tem marcado como um signo toda essa etapa... a superestrutura capitalista foi influenciando de forma cada vez mais marcada as relações de produção e os conflitos provocados pela hibridização que significou a NEP estão se resolvendo hoje a favor da superestrutura; se está regressando ao capitalismo”.A conclusão do Che, que grifamos em negrito, é clara e não dá margem a dúvidas. Ele considerava a URSS um país socialista que, no entanto, se encontrava num processo de retorno ao capitalismo, mormente porque, e isso veremos adiante, cada passo atrás era apresentado como um avanço em direção ao comunismo. Na nossa modesta opinião, o julgamento de Che sobre a NEP e sua permanência na vida da URSS, como causa determinante desse retrocesso, não nos parece exato. Implantada no 10º Congresso do PCUS, em 1921, a NEP estava já superada em 1929, apesar da resistência aberta oposta até aquele ano pelo grupo de Bukharin (que contava com o apoio velado de Zinoviev e Trotsky) à nova política de industrialização acelerada e coletivização da agricultura, materializada no Primeiro Plano Quinqüenal (1928-1933). Mas também não nos parece que a idéia da permanência de uma superestrutura capitalista originada pela NEP estivesse suficientemente consolidada no pensamento do Che, e que ele a manteria ao final dos estudos aos quais se dedicava. A noção de dever a partir da qual ele impôs a si próprio a pesada empreitada de encontrar explicações e soluções para problemas que na época poucos foram capazes de atribuir importância nos leva a pensar desse modo. Isso fica bastante claro no seguinte trecho: “Ao inciar um estudo crítico do mesmo (Manual de Economia Política) encontramos tal quantidade de conceitos conflitantes com a nossa maneira de pensar que decidimos iniciar esta empresa – o livro que expressará nossos pontos de vista – com o maior rigor científico possível e com a máxima honestidade. Qualidade imprescindível esta última, porque o estudo sereno da teoria marxista e dos fatos recentes nos colocam na posição de críticos da URSS, posição que se tem convertido em um ofício de muitos oportunistas que lançam dardos desde a extrema esquerda para benefício da reação. Estabelecemos o firme propósito de não ocultar uma só opinião por motivos táticos, porém, ao mesmo tempo, de sacar conclusões que pelo seu rigor lógico e alcance de visão ajudem a resolver problemas e não contribuam só para apresentar interrogações sem solução”. A chave para se compreender o estágio das reflexões do Che, naquele momento, sua força e também suas insuficiências, pode ser encontrada na transcrição e no comentário crítico que faz do 221º parágrafo anotado, que consta da página 706 do Manual de Economia Política (MEP). MEP: “Em sua última obra, Problemas Econômicos do Socialismo na URSS, Stalin apresentou alguns problemas importantes da teoria marxista-leninista: o caráter objetivo das leis econômicas do socialismo, o da lei do desenvolvimento planificado e proporcional e outros. No entanto, é preciso dizer que esse trabalho e alguns outros de Stalin contêm teses errôneas, tais como a de que a circulação mercantil representa já, na atualidade, um freio para o desenvolvimento das forças produtivas e de que já amadureceu a necessidade da passagem gradual ao intercâmbio direto de produtos entre a indústria e a agricultura; a insuficiente apreciação da vigência da lei do valor na esfera da produção, em particular no tocante aos meios de produção, etc.” CHE: “Nos pretensos erros de Stalin está a diferença entre uma atitude revolucionária e outra revisionista. Aquele vê o perigo das relações mercantis e trata de enfrentá-lo superando as dificuldades, a nova direção, pelo contrário, cede aos impulsos da superestrutura e acentua a ação mercantil, teorizando para isso que o aproveitamento total dessas palancas econômicas leva ao comunismo. Há poucas vozes que se lhes oponham publicamente, mostrando assim o tremendo crime histórico de Stalin: ter depreciado a educação comunista e instituído o culto irrestrito à autoridade”A ambivalência da avaliação de Che a respeito de Stalin se expressa de forma nítida. Por um lado o considera, indiscutivelmente, um revolucionário, termo ao qual atribuía um significado muito especial, por outro se ressente do fato dele não haver atendido a todas as suas expectativas, a ponto de repetir as expressões “crime” e “culto” utilizadas justamente pela “nova direção revisionista” como cortina de fumaça para o gradual recuo em relação às posições socialistas, empreendido a partir da morte do grande dirigente, no ano de 1953. Esta dificuldade certamente o impediu de apreender e retirar tudo que era possível das concepções de Stalin - e particularmente da obra citada, que trata fundamentalmente das mesmas questões sobre a quais ele se debruçava. Problemas Econômicos do Socialismo na URSS, escrito em 1952, tanto em sua primeira quanto em sua segunda parte é nada mais nada menos do que uma série de observações críticas ao projeto do Manual de Economia Política, cujo texto original, Stalin considerou que continha não poucos erros e imprecisões. Che o critica na versão de 1963. Conforme ele afirma, ”depois que sofreu mudanças pronunciadas em sua estrutura e orientação, a medida em que se produziam câmbios na URSS”.Stalin o criticou antes mesmo da publicação. E é importante registrar que nos pontos que ele abordou com maior profundidade suas observações foram olimpicamente desconsideradas já na primeira versão impressa, o que mostra que o princípio da autoridade não era tão irrestrito quanto poderia parecer à primeira vista. Mas isso não tira o mérito do esforço empreendido pelo Che na busca da verdade, nem do resultado a que chegou em suas reflexões. “Nossa força de coração há de provar-se aceitando o repto da Esfinge e não nos esquivado de sua interrogação formidável”, afirma citando El Ariel, de José Rondó, ao final da exposição sobre a necessidade do livro que se preparava para escrever. A morte o levou no ano seguinte, já se vão 40 anos. Mas Che segue mais vivo do que nunca, pelo seu exemplo, por suas realizações como revolucionário e sobretudo pelo vigor e atualidade do seu pensamento. Transcrevemos aqui alguns dos apontamentos preliminares feitos por ele a respeito dos 225 parágrafos que assinalou no Manual de Economia Política, por problemas de espaço serão poucos. Mas recomendamos a todos a leitura e o estudo da obra completa, que é composta também por uma síntese biográfica de Marx e Engels, uma seleção inédita de notas críticas sobre obras econômico-filosóficas do marxismo e diversas atas de reuniões que efetuou no ministério das Indústrias: Apuntes Críticos a la Economia Política, editado por Maria Del Carmen Ariet Garcia, Centro de Estúdios Che Guevara, editora Ocean Press, Havana, Cuba. primeira edição 2006.Com a palavra o comandante Che Guevara. (SÉRGIO RUBENS)
Pág. 62Nº 6MEP: “O trabalho abstrato que forma o valor da mercadoria é uma categoria histórica, uma forma específica de trabalho social, inerente tão só a economia mercantil. Na economia natural, os homens não criam produtos para a troca, sim para a satisfação de suas necessidades, o que faz com que o caráter social de seu trabalho se manifeste diretamente sob sua forma concreta. Por exemplo, quando um senhor feudal se apodera do produto do excedente dos camponeses servos sob a forma de renda em trabalho ou em espécie, se apropria diretamente de seu trabalho sob a forma de prestações pessoais ou de determinados produtos”. CHE: “É importante a forma de expressar a categoria trabalho abstrato. Ao negá-la nas relações feudais, com o qual se nega seu caráter de mercadoria, também se nega implicitamente esta categoria no socialismo, onde o trabalho humano não adquire forma de mercadoria e onde existe um possuidor único dos meios de produção. Há que ter isso em conta para quando se tratar do regime socialista”.
Pág. 348Nº 81MEP: “A lei do valor atua dentro da economia nacional, com certas limitações, como regulador da produção no setor da pequena economia mercantil e no setor capitalista, porém não regula a produção no setor socialista. No setor socialista deixa de atuar a lei da taxa média de lucro. Os investimentos de capital neste setor não são feitos com base na lei da taxa média de lucro, mas na lei do desenvolvimento planificado da economia nacional. CHE: Correto, levar isso em consideração mais adiante.
Pág. 412N° 93MEP: “Já não há no mundo forças capazes de restaurar o capitalismo em nosso país, de derrubar o campo socialista. O perigo da restauração do capitalismo na União Soviética foi eliminado. Isso significa que o socialismo triunfou, não só plenamente, mas também definitivamente”. CHE: “Afirmação que pode ser objeto de discussão. As últimas revoluções econômicas da URSS se assemelham às que tomou a Iugoslávia quando escolheu o caminho que a levaria a um retorno gradual para o capitalismo. O tempo dirá se é um acidente passageiro ou entranha uma definida corrente de retrocesso. Tudo parte da equivocada concepção de querer construir o socialismo com elementos do capitalismo sem mudar-lhes realmente o significado. Assim se chega a um sistema híbrido que leva a um beco sem saída ou de saída dificilmente perceptível que obriga a novas concessões às palancas econômicas, ou seja ao retrocesso”.
Pág 512Nº 136MEP: “Não obstante, a maior parte dos meios de produção – ferramentas, máquinas, metais, carvão, petróleo, etc – produzidos pelas empresas do Estado circula entre as empresas do setor estatal, pertencentes a um só proprietário, o Estado socialista. Ao passarem esses meios de produção de umas empresas estatais a outras não muda a propriedade, o Estado socialista segue sendo proprietário desses meios de produção. Isso não é obstáculo para que também neste caso os meios de produção passem de uma empresa a outra sob a forma de compra e venda e sejam, portanto, mercadorias. Isso se explica pelas relações mútuas que existem entre a propriedade estatal e outras formas de propriedade, pela unidade que forma a economia socialista e por características inerentes a propriedade estatal”. CHE: “Escapam aqui duas incorreções graves. A primeira é que o ato de compra e venda significa o translado da mercadoria de um possuidor a outro. E mercadoria, vimos no princípio, é todo o produto suscetível de mudança de propriedade. A segunda é que se explica isso pela diversidade de formas de propriedade social, em todo o caso se poderia admitir a compra e venda para as relações entre os kolkhoses e o resto da propriedade social, mas não impô-la ao conjunto. Ao final, onde se diz ‘isso se explica’ não se explica nada”.
Pág. 513Nº 138MEP: “Os meios de produção que circulam dentro do setor estatal como mercadorias, apresentam características substanciais que os distinguem do dos meios de consumo e dos meios de produção realizados fora do setor estatal. Estas características podem resumir-se assim: em primeiro lugar, ao passar os meios de produção de uma empresa a outra pela via da compra e venda, não se efetua um câmbio de proprietários já que seguem sendo propriedade do estado socialista e só muda a empresa a disposição da qual passam os meios de produção de que se trata;...” CHE: “Negação completa do princípio de compra e venda. Em geral os autores aplicam os nomes de categorias capitalistas a coisas diferentes e dali surge também a contradição. Se dissessem, por exemplo, contrato de entrega, o problema estaria resolvido. Porém atrás da aparentemente inofensiva imprecisão das formulações se esconde algo mais grave: há verdadeiras contradições entre as empresas, com choque de interesses, coisa lógica, já que o sistema se assemelha muito ao capitalismo em seus mecanismos de ação”.
Pág. 521Nº 147MEP: “As empresas avançadas, nas que a inversão individual de trabalho é inferior ao trabalho socialmente necessário, são mais rentáveis”. CHE: “Esta afirmação obriga a perguntar: mais rentáveis para quem? Se fosse só para o Estado, tudo estaria bem, porém é que também são mais rentáveis para os trabalhadores dessas empresas, contribuindo para a criação de desníveis no pagamento ao trabalho de operários que realizam a mesma tarefa, já que se trata de uma empresa adiantada e outra atrasada”.
Pág. 534Nº 158MEP: “Entre as empresas estatais está amplamente estendida a forma de salário por obra realizada. Diferentemente do ‘salário por peça’ capitalista, baseado na intensificação excessiva do trabalho e que não repõe o desgaste da força de trabalho, no socialismo o salário por obra realizado se baseia em normas progressivas médias de produção acessíveis à grande massa de trabalhadores e assegura o aumento da produção a medida em que se eleva a produtividade do trabalho. Esta forma de salário impulsiona a total e racional utilização das máquinas, do equipamento industrial, das matérias primas, do tempo de trabalho, a implantação dos aperfeiçoamentos técnicos e a melhor organização do trabalho e da produção. O salário por obra realizada propicia o desenvolvimento da emulação socialista, posto que a alta produtividade do trabalho se traduz também numa alta remuneração”. CHE: “Estão com uma mangueira entre as mãos e querem tapá-la com uma folha de parreira, a única diferença é o destino do trabalho excedente”.
Pág. 546N 162MEP: “O postulado da lei do valor reside em que os preços das mercadorias correspondem à inversão do trabalho socialmente necessário. A lei do valor impulsiona as empresas a conseguirem que os custos individuais de produção de uma determinada mercadoria sejam, dentro do possível, inferiores ao custo socialmente necessário. Se o custo individual de uma empresa excede o custo socialmente necessário, pelos quais se determinam os preços, esta empresa não poderá cobrir integralmente seus custos e operará com perdas. As empresas em q, ue os custos individuais coincidam com os custos socialmente necessários ou sejam inferiores a eles estarão em situação mais vantajosa, assegurarão a rentabilidade da produção. A rentabilidade de uma empresa significa que os meios obtidos para ela realizar seus produtos cobrem o custo de produção e geram um ingresso excedente. A rentabilidade é um dos índices mais importantes da efetividade econômica do funcionamento das empresas durante um período de tempo. O cálculo econômico coloca as empresas em uma situação na qual se vêem obrigadas o conseguir a maior economia possível nos recursos e a serem empresas rentáveis”. CHE: “A rentabilidade é uma noção relativa numa economia planificada. O fato de que se tenha buscado uma fórmula que automatiza o processo por meio de relações monetárias a converte em um instrumento de controle, porém também inaugura a luta por fazê-la efetiva por todos os meios ao alcance das empresas. Pode-se dizer que é um bom instrumento, porém o sistema empregado não é o único utilizável”.
Pág. 548Nº 164MEP: “O cálculo econômico se baseia no interesse material das empresas, de todos os trabalhadores e do pessoal dirigente, no cumprimento dos planos, no rápido e constante auge da produção, na gestão econômica e racional da empresa e na garantia da rentabilidade destas. O interesse material da empresa e de seu pessoal no cumprimento do plano e no auge da produção o assegura, sobretudo, o fato de que a empresa obtém os recursos financeiros em consonância com os resultados de suas atividades econômicas. Ademais se deixa à disposição da empresa uma parte dos ingressos (dos lucros), que se destina a completar os meios de rotação e as inversões e melhorar as condições de existência de seus operários e empregados em relação às demandas culturais e sociais, a premiar os melhores trabalhadores, etc. CHE: “É a demonstração de que o cálculo econômico se utiliza como palanca administrativa, é uma espécie de fixação das regras do jogo para que as empresas lutem para obter o máximo na partilha.
Pág. 551Nº 165MEP: “Os meios materiais e monetários de que dispõem as empresas socialistas constituem os fundos destas empresas. Diferentemente do capital que expressa as relações de exploração dos trabalhadores pelos capitalistas, os fundos das empresas socialistas representam a propriedade social e se usam em interesse de toda a sociedade. Os fundos das empresas estatais são propriedade de todo o povo, posta a disposição dessas empresas. Os fundos das empresas cooperativas são propriedade cooperativa das próprias empresas que os manejam.” CHE: “Nem todos os fundos se usam em interesse de toda a sociedade, há um fundo de empresa que serve para satisfazer as necessidades desse coletivo e para aumentá-lo lutam os membros do mesmo, em contradição com os restantes”.
Pág. 561N° 169MEP: “O ingresso líquido da empresa estatal é a parte do ingresso líquido criada pelo trabalho adicional para a sociedade que se acumula na empresa e se utiliza em parte considerável para suas próprias atenções. O ingresso líquido centralizado do Estado é a parte do ingresso líquido da sociedade que se concentra em mãos do Estado, para aplicá-la às necessidades de todo o povo.” CHE: “Observe-se que o ingresso líquido da empresa estatal se reverte nela mesma. Este é um dos pontos fracos do sistema, o que contribui para o fortalecimento da empresa dentro da superestrutura da sociedade socialista.”
Pág. 564N ° 170MEP: “Em relação com o processo de fortalecimento do cálculo econômico, vai crescendo a parte do ingresso líquido (lucro) da empresa dentro da massa global do ingresso líquido da sociedade e vai diminuindo proporcionalmente a parte do ingresso líquido centralizado do Estado do chamado imposto de circulação”. Incrementa-se a parte do ingresso líquido (lucro) das empresas estatais colocadas a disposição destas. E, com isso, aumenta a importância do ingresso líquido (lucro) da empresa para a ampliação da produção nesta empresa (incremento de fundos de rotação, financiamento de investimentos básicos), para o aperfeiçoamento da produção, o pagamento de prêmios aos trabalhadores da empresa e a elevação de seu nível material e cultural. E isso fortalece o interesse material da empresa e de seu pessoal na economia e o emprego efetivo de seus recursos e no aumento da rentabilidade da produção”. CHE: “Extrapola sobre o dito no 169”.
Pág. 577-578N° 179MEP: “Como temos dito, as Estações de Máquinas e Tratores (EMT) desempenharam um importante papel na criação e no fortalecimento e desenvolvimento do regime kolkhosiano. Mas, na nova etapa de desenvolvimento dos kolkhoses, a forma anterior de serviço técnico de produção dado aos kolkhoses por meio da EMT começava a entorpecer o cumprimento da tarefa central que era necessário resolver para construir o comunismo, a saber: a elevação da produtividade do trabalho. A coexistência dos donos, o kolkhos e a EMT numa só terra e num só processo de produção começou a engendrar uma série de contradições que freavam a utilização mais efetiva da terra, da técnica e da mão de obra e elevavam o custo de produção dos produtos agrícolas. [... ] Deste modo, foi amadurecendo a necessidade de vender aos kolkhoses o equipamento técnico concentrado nas Estações de Máquinas e Tratores e de reorganizar estes centros sob a forma de Estações técnicas de conserto”. CHE: “Este é um exemplo palpável de contradições que vão se tornando antagônicas entre a propriedade social e a da coletividade individual. As EMT podiam ter muitos vícios de burocratismo, mas a superestrutura impôs sua solução: maior autonomia, mais riqueza particular".
Publicado na Hora do Povo, edição nº 2.608